segunda-feira, 13 de abril de 2009

Mestres do humor se apresentam na Bahia

Dois dos principais produtos de exportação do Ceará chegam à Bahia para duas apresentações no Teatro Castro Alves.

EDUARDO VIEIRA, do ATARDE

Duas gerações do humor brasileiro, que se encontraram na televisão na década de 90, chegam agora em palco baiano.

Chico Anysio e Tom Cavalcante protagonizam o espetáculo Chico. Tom, nos próximos sábado (21 horas) e domingo (20 horas), na sala principal do Teatro Castro Alves. A montagem apresenta momentos individuais dos humoristas e, também, celebra os personagens Professor Raimundo e o pinguço João Canabrava, destaques da extinta Escolinha do Professor Raimundo, exibida na TV Globo especialmente nos anos 90.

“O espetáculo surgiu depois da ideia de um programa de televisão. Nós íamos fazer na Globo. Mas, como o Tom foi para a Record, transformamos em show. É muito legal. Eu faço 40 minutos, o Tom faz mais 40. Nós temos um tipo de humor diferente um do outro. No final, encerramos com João Canabrava e Professor Raimundo, que é o meu maior personagem.

Foi o primeiro que eu fiz no rádio e na televisão. Então você veja as portas que ele me abriu. Não tenho como não dar preferência a ele”, diz Chico Anysio, em entrevista por telefone.
Quem primeiro sobe ao palco é Chico, interpretando uma série de tipos sem deixar de fora crônicas e piadas.

Na sequência, Tom Cavalcante evoca personagens, imita famosos, faz crônica política e um relato bem-humorado dos últimos acontecimentos do País. Ao final, os cearenses se juntam no palco.“A peça funciona bem. A maneira que o público recebe é muito querida, O público é um barato, uma maravilha. Queremos divertir. Estamos apenas pra isso.Às vezes a gente faz pensar um pouco, mas a ideia principal é a diversão. A plateia fica feliz. Isso é importante”, diz.

AGENDA – Chico.Tom estreou há quatro anos em São Paulo. Neste período, percorre os teatros brasileiros, mas sempre que a agenda dos artistas permite. “Não fazemos muito porque o Tom tem diversos compromissos na Record. Então é difícil arranjar um tempo, como encontramos agora. Sem contar que é complicado, também, marcar dois dias em um teatro, por causa das pautas lotadas. Esse ano já vamos fazer seis com as apresentações de Salvador, o que é uma novidade em quatro meses (risos)”.

Depois da capital baiana, o espetáculo vai a Porto Alegre. Chico também viaja pelo País com outras montagens.

Com o Professor Raimundo reconhecido como um dos seus mais populares trabalhos, surgido na década de 50, na rádio Mayrink Veiga, o humorista diz se sentir incomodado com a atual versão Uma Escolinha Muito Louca , exibida pela Band. “Não assisto, mas estou entrando com um processo. Acho, no mínimo, uma falta de respeito. Estamos em um País onde o respeito não existe. Eu não queria que parasse não. Queria que me pagassem. Porque eu sei que, cada vez que eles fazem aquela bobagem, eles estão fazendo o público lembrar de mim, lembrar da minha escolinha. É um comercial ao meu favor”, afirma.

No seu site oficial (www.chicoanysio.com), o artista diz que o personagem foi criação do colega Haroldo Barbosa, que, depois, cedeu para Chico o direito de utilizá-lo da forma que preferisse.
Nos últimos anos, o humorista se distanciou da televisão, veículo no qual já ofereceu ao público personagens como Alberto Roberto, Bozó, Painho e Coalhada.

Além do teatro, dispensa atualmente mais atenção para o cinema, ainda que não em papéis de destaque. Foi assim no sucesso de bilheteria Se Eu Fosse Você 2, com Olavo. Chico trabalha em outros projetos, como no longa Uma Professora Muito Maluquinha, com texto de Ziraldo, e o filme que vai contar a história do cantor Frank Aguiar.

“Os convites para cinema têm me dado motivação especial. Na TV, não espero nada mais em especial. Não é que eu não tenho vontade, eu que não espero. Sou da Rede Globo e não vou sair dela de jeito nenhum porque lá é minha casa.Ajudei a fazer aquela emissora. Mas sei que de lá não me virá nenhum convite. Então eu já esqueci isso”, afirma.

Para o humorista, o humor é ferramenta importante e com muita demanda, mas nem sempre esse interesse é aproveitado. “Acho que nunca tantos comediantes apareceram. São muitos.
Mas não têm onde trabalhar. Porque as TVs esqueceram do humor, estão só preocupadas com as novelas. Você vê que essa escolinha de nada na Bandeirantes está aí. Imagina se essa escolinha de nada fosse feita na Globo. O humor é sempre bem aceito, do tipo que for”, conclui.

Um comentário:

Daniel disse...

Oi Gabriel,
Gosto muito de Chico Anysio. De Tom Cavalcanti, não muito... Acho ele muito deslumbrado pro meu gosto. De todo modo, gostaria de assistir a uma apresentação deles dois.
Abraço
DANIEL