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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Salvador sedia Fórum Internacional de Ciência e Tecnologia em Dengue

Evento reunirá especialistas do mundo inteiro na capital baiana

Especialistas brasileiros e estrangeiros estarão em Salvador do próximo domingo (25) até quarta-feira (28), para discutir estudos relacionados à dengue no mundo, sobretudo no Brasil. O IV Fórum Internacional de Ciência e Tecnologia em Dengue é coordenado pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Instituto de Saúde Coletiva da Ufba.

Mais de 20 convidados internacionais estão incluídos na programação do evento. Trata-se de pesquisadores de importantes instituições internacionais, a exemplo do CDC, dos Estados Unidos, Oxford, do Reino Unido/Vietnam, Opas, dentre outras.

Do Brasil, profissionais de saúde e pesquisadores de vários estados e instituições de pesquisa estarão presentes a exemplo da Ufba, Fiocruz, UFRJ, UFRS, UFRP, USP, UFCE, Instituto Evandro Chagas, além de secretarias Estaduais e Municipais da Saúde.

O objetivo do encontro é debater sobre o atual estágio do conhecimento no campo da epidemiologia, clínica e medidas de prevenção de dengue. “Ao identificar lacunas e avanços, o relatório deste evento disponibilizará informações relevantes que deverão contribuir para elaboração de agendas de pesquisas na área de Dengue, além de apresentar sugestões para o aprimoramento das ações de controle e tratamento da doença”, afirma a pesquisadora baiana Glória Teixeira. 

Um dos temas deste evento será "Vacinas Candidatas Contra Dengue" que se encontram em fase adiantada de desenvolvimento. Além da comunidade acadêmica nacional e internacional  participarão pesquisadores de algumas  indústrias farmacêuticas que, certamente, trarão informações atuais sobre o estágio de desenvolvimento destas vacinas.

Situação de dengue na Bahia

O estado da Bahia registrou, até o mês de outubro deste ano, 68.414. casos de dengue, o que representou um aumento de 31,6% em relação ao ano de 2011.

Dos 417 municípios baianos, 96% notificaram casos de dengue nos seus territórios de abrangência. Salvador, Itabuna, Feira de Santana, Ihéus,  Senhor do Bonfim, Guanambi, Serrinha, Jacobina, Jequié e Teixeira de Freitas concentram  aproximadamente 45% dos casos do estado.

Destes 10 municípios Salvador ocupa o último lugar em relação a incidência acumulada da doença com 10,2 casos por 100 mil habitantes. Já os municípios de Senhor do Bonfim, Serrinha , Guanambi e Jacobina lideram o ranking de cidades com incidências acumuladas de 4210.31, 3357.12, 2096.77, 2085.73 casos por 100 mil habitantes, respectivamenta.

Na Bahia, 27 pessoas morreram vítimas da doença até outubro de 2012, sendo que quatro delas eram de Salvador.

Sistema na web criado pelo ISC-Ufba ajuda a monitorar os casos

A situação epidemiológica de dengue no estado da Bahia fortalece a necessidade de avançar com novas tecnologias de vigilância ativa da doença. O site Denguenaweb (www.denguenaweb.org), desenvolvido pelo Instituto de Saúde Coletiva e Instituto de Física da UFBA, implantado em novembro de 2011, continua em funcionamento contando com adesão de centenas de internautas de Salvador.

Conforme Glória Teixeira, a ferramenta ajuda a captar, em tempo real, informações sobre o comportamento da dengue na cidade. “Com a aproximação do verão, período no qual a transmissão do vírus do dengue se intensifica, a população deve ficar alerta para informar por meio do site se está ou não apresentando sinais e sintomas de dengue (febre, dor de cabeça, dores musculares, manchas vermelhas pelo corpo, etc). Desse modo, a população estará contribuindo para que através deste sistema de notificação seja possível alertar, precocemente à população e os serviços de saúde de as áreas onde a doença está ocorrendo visando intensificar  as ações de combate ao mosquito transmissor”, afirma.

Veja dicas para evitar a proliferação do  Aedes aegypti:

- Manter sempre as caixas d’água e toneis fechados com as tampas adequadas;
- Remover folhas, galhos e objetos que possam impedir a água de correr pelas calhas;
- Não deixar água de chuva acumulada na laje de casa;
- Lavar tanques semanalmente com escova e sabão;
- Colocar as garrafas com a boca voltada para baixo;
- Colocar areia nos vasos de planta;
- Entregar pneus velhos ao sistema de coleta de lixo ou mantê-los sem água acumulada em seu interior;
- Manter as lixeiras bem fechadas;
- Não jogar lixo em terrenos baldios;

sábado, 5 de novembro de 2011

Universidade Federal lança ferramenta de web para acompanhar casos de dengue na Bahia

A Universidade Federal da Bahia, através do Instituto de Saúde Coeltiva (ISC-Ufba),lança na próxima terça-feira (8), às 8h30, um sistema para acompanhamento dos casos de dengue, por meio da internet. Batizado de Dengue na Web, o website interativo foi especialmente criado para possibilitar a coleta, “online” e a análise de informações referentes a ocorrência de dengue na população da cidade de Salvador em “tempo real”.

Segundo a coordenadora do projeto, a pesquisadora Glória Teixeira, as observações cientificas apontam que pacientes acometidos por dengue só buscam os serviços de saúde a partir do terceiro dia de início da febre. Assim sendo, os sistemas de vigilância epidemiológica só conseguem detectar aumento no número de casos da doença, aproximadamente duas semanas após seu início, o que compromete o desencadeamento de ações de controle efetivas e em tempo oportuno.

Ainda de acordo com a pesquisadora, a internet pode se constituir em uma poderosa ferramenta auxiliar da vigilância epidemiológica, caso haja adesão da população ao denguenaweb, visto que este site gerará informações atuais, online, situação esta que vai possibilitar aos gestores do SUS a adoção das providências necessárias para pronta execução dos Planos de Contingências.

“Evidentemente, que este projeto só será vitorioso se contar com a participação de toda a sociedade. Para tal, necessitamos do engajamento dos veículos de comunicação, setor que desempenha papel fundamental na conscientização da população quanto a importância de sua contribuição para esta campanha de aperfeiçoamento de um Programa de Saúde Pública”, diz Glória Teixeira.

Casos registrados em 2011

Somente em 2011, mais de 54 mil casos de dengue foram registrados no estado. Salvador, Feira de Santana, Guanambi e Itabuna são as cidades com o maior número de ocorrências.

Serviço

Local: Sala dos Conselhos da Reitoria da Universidade Federal da Bahia

Data: 08/11/2011

Horário: 8:30 às 10:30 hs

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A Saúde dos Brasileiros

Maurício Barreto, Médico, PhD em Epidemiologia

No rastro da crescente importância do Brasil no cenário internacional, a revista inglesa The Lancet, a publicação médica mais influente do mundo, lançou em Brasília no ultimo dia 9 de maio uma série de seis artigos intitulada “A Saúde dos Brasileiros”. A expectativa dos Editores é de que “essa série realmente mostre porque o Brasil não só deve ser levado mais a sério pelas comunidades internacionais científicas e da saúde, como também deve ser admirado pela implementação de reformas que posicionaram a igualdade no acesso à saúde no centro da política nacional – uma conquista que muitos podem desejar para seus próprios países.”

Uma equipe brasileira de 29 especialistas em saúde pública (dos quais 5 baianos) preparou seis artigos científicos que descrevem a história da assistência a saúde no Brasil, com ênfase na implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), alem da evolução recente dos principais problemas de saúde que afligem nossa população, bem como dos seus determinantes. O Brasil vem passando por diversas transformações econômicas, sociais e ambientais. Mudanças positivas ocorreram em termos de vários determinantes sociais da saúde, incluindo aumento na escolaridade, redução na pobreza e melhorias na distribuição de renda, ampliação do acesso à água tratada e esgotamento sanitário e declínio da fecundidade. Como conseqüência dessas mudanças, assim como da ampliação da cobertura de serviços preventivos e curativos nas duas décadas após a criação do SUS, evidencia-se melhorias importantes nas condições de saúde e na expectativa de vida da população. A saúde e a nutrição das crianças brasileiras melhoraram rapidamente a partir dos anos 1980. Iniciativas de saúde pública resultaram em sucessos no controle das doenças preveníveis por vacinação, na diarréia, nas infecções respiratórias, no HIV/AIDS e na tuberculose. As taxas de mortalidade por doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas estão diminuindo.

No entanto, muitos e difíceis desafios ainda permanecem. Abortos ilegais são frequentes, a prematuridade aumenta e os partos são hipermedicalizados, com um a cada dois novos brasileiros nascendo por cesariana. Apesar de grandes reduções na mortalidade e na morbidade por doenças infecciosas, a dengue está fora de controle, em grande parte devido à degradação ambiental urbana. Observam-se tendências ao crescimento da obesidade, hipertensão e diabetes; as doenças psiquiátricas, particularmente a depressão, assim como a asma e alguns tipos de câncer, também mostram altas prevalências. A carga de doenças associadas à violência e às lesões físicas ainda permanece em patamares epidêmicos. As disparidades socioeconômicas e regionais são enormes e inaceitáveis, sinalizando que ainda é necessário avançar muito para melhorar a condição de vida de grande parte da população. A administração de um sistema público complexo e descentralizado, no qual grande parte dos serviços é prestada em razão de contratos com provedores privados, além da atuação de várias seguradoras privadas de saúde, acarreta, inevitavelmente, conflitos e contradições.

Enfim, embora importantes problemas de saúde estejam sendo reduzidos, muito ainda resta a ser feito para que todos os brasileiros atinjam níveis de saúde compatíveis com aqueles observados em países desenvolvidos. Conforme expresso na série, o desafio para a conquista de novos patamares de saúde dos brasileiros “é, em última análise, político e requer a participação ativa da sociedade, na perspectiva de assegurar o direito à saúde para toda a população brasileira”. Nesta direção, o conjunto de artigos culmina com uma série de desafios e uma convocatória para ação direcionada a todos os envolvidos nesta tarefa: governo, trabalhadores de saúde, setor privado, universidades e outras instituições de ensino e pesquisa, alem da sociedade civil.

A série de artigos (em inglês e português) pode ser encontrada no site http://www.thelancet.com/series/health-in-brazil


Mauricio L. Barreto
Médico, PhD em Epidemiologia
Professor Titular do ISC/UFBa,
Pesquisador 1-A do CNPq,
Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências
mauricio@ufba.br