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segunda-feira, 11 de março de 2013

Entrevista Michely Fernandez



Aos 53 anos, e com apenas seis anos de carreira atriz pornô é sucesso entre os mais jovens

Gaúcha de de São Leopoldo, Michely fernandez chegou aos 53 anos numa forma invejavel. Dona de um corpo escultural, a ruiva, que é mãe de dois filhos,  já estrelou filmes em diversas produtoras de filmes eróticos como As Brasileirinhas e As Panteras e hoje atua como “acompanhante” na cidade onde vive e também no Rio de Janeiro, onde possui uma agenda. Em entrevista exclusiva ao Diário de um Fela da Gaita, a bela demonstra inteligência, maturidade e fala sobre o universo do cinema pornô e também das suas preferências sexuais.

Como surgiu a sua entrada no cinema erótico?
Fui convidada quando tinha 42 anos e, anos depois, fui descoberta por um produtor (Dom Picone), pelo Orkut e aí eu aceitei.

Antes de entrar no mercado de filmes, o que você fazia?
Eu já era acompanhante e fui descoberta na internet...

Já recebeu convites para o exterior?
Sim, mas não aceitei a proposta.

O que consistia essa proposta?
Em 50 minutos de sexo anal...

Então você não gosta dessa modalidade?
Não, não.

Por que o mercado do pornô caiu no Brasil?
Ah, foi a pirataria. As conhecidas ganhavam em torno de R$ 30 mil por cachê, mas hoje em dia tem meninas se submetendo a filmar de graça para obter projeção... Com a internet, é possível baixar e assistir filmes sem pagar nada, quem vai comprar um DVD?

Quando foi seu último filme?
Em 2009. Depois me chamaram para fazer um carnaval das Brasileirinhas, mas o cachê foi muito aquém...

Já rolou uma afinidade a mais com algum ator?
Sim, com o Yuri, com quem gravei O Incesto. Ele chegou a pedir para ir morar com ele no Rio, mas não rolou. A gente não se conhecia muito bem. Hoje, por exemplo, ele se casou com uma mulher mais velha...

E você prefere os mais novos?
Sim, depois que me separei – Michely foi casada por 20 anos – eu só me interessei por homens mais novos. Eles curtem as mulheres maduras e eu, me interesso por homens mais novos.

E como é o mercado do pornô para as mulheres mais maduras?
No exterior é melhor, embora o brasileiro goste muito. O filme, O Incesto, foi o que mais vendeu em As Panteras, se não me engano...

Você fez muitos filmes sem camisinha...
Sim, mas estou em dia com os exames...

Você fez muitas cenas de sexo com outras mulheres?
Só com a Babalu

Repetiria?
Sim

Qual seu tipo de homem preferido?
Musculosos, morenos, altos e bem dotados

Você mora no interior, existe mercado para acompanhantes aí?
É muito dificil, mas eu tenho um nome no mercado, o que permite que eu cobre R$ 300 (por hora). Eu vou sempre ao Rio e tenho uma demanda muito grande dos paulistas, mas São Paulo é uma cidade muito grande e eu não tenho amigos por lá. No Rio, eu tenho um amigo, onde eu me hospedo na casa.

Já rolou convite para fazer boate de strip tease?
Sim, mas eu não gosto...

Você usa as redes sociais bastante né?
Sim, Twitter e Facebook

E já rolou envolvimento com cliente?
Sim, algumas vezes

Como era a Michely na época de casada?
Era uma puritana. Na primeira cena que gravei, eu tomei uma garrafa de champagne

E a sua rotina no cotidiano?
Cuido da casa e dos meus dois filhos

E eles aceitam a vida que você leva?
Um sim e outro não. Depois que separei, tive que arcar com muitas despesas sozinha.

E como está a sua agenda no Rio?
Estou com agendas em maio, julho e setembro





segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Entrevista: Cleo Cadilac

 Cléo Cadilac com fã em praia de Salvador


Aos 28 anos de idade, Cleo Cadillac exibe uma bela forma, do jeito que o brasileiro gosta. São 110 cm distribuídos em um belo bumbum, que exibe uma pomposa marca de biquíni. Nesta entrevista, a loira colocou muita pimenta em diversos assuntos sem fugir das polêmicas.

Quem é a Cleo Cadillac?

É uma jornalista diplomada, afilhada de batismo da Rita Cadillac, que nasceu no interior de Goiás e hoje mora em São Paulo.

O que você tem feito? Sei que já posou para a Sexy e também fez alguns filmes...

Hoje faço alguns shows de strip e também presença VIP em eventos. Ao todo foram dez cenas gravadas, que renderam dez filmes.

Ganhou muita grana?

Sim, mas já gastei tudo (risos).

Como assim, não tem filme que paga R$ 500 mil de cachê?

Isso é uma mentira que as pessoas contam para se promover. Hoje não há revista e nem filme que paguem tanto assim. Quem disser que ganhou isso está mentindo.

Mas com o que você gastou o dinheiro?
Com viagem, com os meus cabelos e com algumas pequenas intervenções...

O que, plástica?
Sim, mas tem Salão também... loira gasta meu bem!

Que plásticas, esse bumbum (de 110cm) é fake?
Esse não. Aqui é tudo meu. Mas eu coloquei mais peito (200ml de silicone), fiz uma lipoaspiração...

Rola muito assédio?
Sim. Lá em São Paulo é demais. Não sabia que existia tanto punheteiro e nos shows os caras ficam fazendo propostas e tal. Aqui na praia, por exemplo, está uma loucura... (risos)

E farra, você é baladeira?
Não. Sou mais do dia, gosto de sol, de praia e, para manter a marquinha de biquíni, faço duas seções de bronzeamento (artificial) por semana.

Sobre os filmes, você sentia prazer?
Sim, algumas vezes sim... Fiz até uma cena com uma mulher que foi bem interessante...

Teve algum ator preferido?
Não, não tive.

Alguma coisa que não tivesse gostado?
Olha, para fazer sexo anal, eu tomava muito vinho... ia meio bêbada. Também não gostava de cena com gozada na boca.

E a Rita (Cadillac), o que achou dos seus filmes?
Nem ela viu meus filmes e nem eu quis ver os dela. É questão de respeito...

Você se arrepende?
Olha, é o tipo da coisa que a gente faz por causa de empresário, para ganhar fama e tal, mas não me arrependo não.

E a família?
Contei pra minha mãe mandando um torpedo pelo celular. Ela ficou chateada, mas me perdoou.

E o jornalismo?
Não cheguei a me firmar, mas fui uma boa aluna na faculdade lá do Paraná. Penso em fazer uma pós na área.

Você está solteira? Qual seu tipo de homem preferido?
Estou sim e gosto de negões (risos). Só tive duas grandes paixões, mas nenhum era um negão. Espero que o próximo seja (risos)

sábado, 16 de junho de 2012

Entrevista: Sandro Becker


Aos 57 anos e 40 de carreira, o cantor, compositor e apresentador de Rádio e TV, Sandro Becker ainda é sucesso entre os amantes do forró. Alagoano de nascimento, mas baiano, pernambucano, potiguar e cearense de coração, ele agora se divide entre a vida de empresário em Natal e a de descanso em Recife. Conhecido pelos sucessos de duplo sentido nos anos 80, ele critica algumas bandas atuais que apelam para palavrões e baixaria e também os empresários que incentivam essa prática. Em entrevista exclusiva ao Diário de um Fela da Gaita, Sandro disse ainda que muitas fãs ainda têm curiosidade para saber se o "veinho" ainda está de pé.

Sandro, você já tem mais de 30 anos de carreira, fale um pouco dessa história.

Comecei no rádio em 1972 como apresentador, na Rádio Palmares de Alagoas, onde eu fazia um personagem humorístico chamado "Coroné” Zé Lotero". Os ouvintes achavam que eram de duas pessoas(risos): Sandro Becker e “Cornoné” Zé Lotero. Portanto, já são 40 anos. Em 1979, lancei meu primeiro disco (LP) pela gravadora Tapaecar/Somlivre.

E o forró, como entrou em sua trajetória?

Comecei no rádio como apresentador de programa de forró, daí a minha a ligação e amizade com os grandes mestres do forró. Acabo de lançar o 33º disco, que também é DVD: Sandro Becker - 100 Anos de Gonzagão.

Entre tantos sucessos - e eu sou fã mesmo - qual você destaca como inesquecível e qual dos discos vendeu mais?
O que vendeu mais foi o meu 7º LP, que contém as musicas Julieta,Gatinho Angorá(Selma),Não fure Quinho,Não,Forró na Bica, Balança o saco e outras. Nesse disco estouraram seis músicas, isso foi em 1986.

O que tem uma mulher de fio dental na capa?

É esse. Vendeu 1 milhão de cópias, mas antes disso eu já tinha três discos de ouro (risos).

Onde mora esse alagoano que ainda hoje faz sucesso?

Em Recife e em Natal. Há cinco anos fui convidado para apresentar o programa "Forró Total" na Simtv (Rede TV) de natal e assumir a direção artística da emissora. Deu tão certo que com o sucesso do programa montei casa de show e restaurante lá em Natal (Casa do Matuto - www.casadomatuto-natalrn.com). Digamos que hoje moro em Natal e passeio em Recife (risos).

No início da carreira você teve muitas canções de duplo sentido que fizeram sucesso, hoje canta um forró mais comportado, vamos dizer assim. Isso foi uma exigência do mercado?

Não,amigo! Em todos os discos meus,sempre gravei meio a meio...

É verdade...

Os forrós tradicionais e os forrós de malícia...

Continua assim hoje?

Eu fazia e faço duplo sentido, mas infelizmente o mercado hoje aceita e quer "apelação musical" e essa eu não gosto,não faço e nem quero gravar. Faço picardia,malicia, mas com inteligencia...

Público lota show na Praça Castro Alves, em Salvador - Fotos: Rita Barreto/Setur

Aqui na Bahia você tem o carinho de muitos fãs. Como está a sua agenda para o São João?

Se não fosse a seca do Nordeste, estaria bem melhor. Caíram seis shows meus, mas seja feita a vontade de Deus. Pior são aqueles que nem água,tem prá beber. Mas tenho shows na Bahia, Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte.

Mas o que você considera baixaria no forró?

Basta você ouvir Genival Lacerda, Clemilda e Sandro Becker, que é um forró engraçado, sem apelação, depois ouça o forró atual que as bandas têm feito...compare e veja quem é engraçado e quem é de mau gosto.
As minhas músicas as crianças cantavam e cantam sem entender a malicia, a exemplo da Julieta que não tem sequer um palavrão!!!

Isso Genival (Lacerda) me disse em uma entrevista ano passado

O Sandro Becker tem quantos anos ?

São 57 anos de idade. Eu penso como empresário e no palco sou um menino (risos)

Você ainda tem cara de garoto, as fãs ainda dão muito em cima?

Rapazzzzzz...(pausa seguida de risos). De vez em quando alguém  curioso(a),quer saber se o "veinho" tá de pé (risos).

Recentemente a Ivete Sangalo fez uma homenagem a você. O que você sentiu?

Muito gratificante...Ivete (Sangalo), Durval Lelys, Chiclete e outros nomes quando me avistam num evento,fazem a festa e me reverenciam. Isso é muito bom.

Nos anos 80, havia uma dificuldade com os estados do Sudeste, por conta do preconceito com a música do Nordeste. Isso mudou ou continua?

Rapaz...comigo,nunca teve isso. Faço rádio e TV em São Paulo, Rio e etc,como faço aqui no Nordeste, desde o chacrinha até hoje. Acabei de participar do "Torneio Musical" no Programa Silvio Santos durante seis semanas e saí na semi-final.

Você está casado, tem filhos?

Estou solteiro há cinco anos e tenho tres filhos: um de 33, uma de 27 e um de 13

Algum seguiu carreira artística?

Emanuelle,  aos nove anos gravou comigo cantando a música que leva o nome dela. Foi o sucesso de 1994.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Entrevista Cid Teixeira

Entrevista Cid Teixeira - Por Gabriel Carvalho, na Revista Viver Bahia

Nascido em 11 de novembro de 1924, numa terça-feira ensolarada, o historiador soteropolitano Cid José Teixeira Cavalcante é um dos mais ilustres personagens da história recente da Bahia. Em 1948 formou-se em direito pela UFBA. Apesar disso, não foi nos fóruns e tribunais que ele se destacou. A advocacia foi preterida em nome de diversas outras funções como guia de turismo, repórter, doutor, professor, dentre muitas atividades que exerceu. Ensinou nas universidades Católica de Salvador e Federal da Bahia e também teve passagem importante pelo rádio. Em entrevista exclusiva à Revista Viver Bahia, Cid Teixeira falou sobre as mudanças ocorridas na geografia, na música e também na cultura baiana no último século.

Viver Bahia – Em primeiro lugar, eu queria ouvir do senhor um resumo da sua vida profissional.

Cid Teixeira – Ensinou e escreveu, nada mais aconteceu. Afrânio Peixoto que mandou colocar isso no túmulo dele. Bem (pausa), eu comecei a ensinar em ginásio, ainda no primeiro ano de faculdade. Eram ginásios particulares. O primeiro foi o São Salvador e o segundo foi o Ginásio Brasil. Nenhum desses existe mais. Depois fiz concurso para o Ginásio da Bahia, onde passei a ensinar história. Estive também no Instituto Normal e (Colégio Estadual) Severino Vieira. Depois fui admitido como assistente voluntário da Escola de Belas Artes e fiz concurso para Docente Livre da Universidade Federal. Nessa altura, me formei em Direito e passei um tempo advogando, depois larguei a advocacia. Também passei pela Universidade Católica e, - não dê risada não viu? – também ensinei História para padres num curso de seminário. Me aposentei aos 70 anos.
VB- Por que deixou a carreira jurídica?

CT – Não dava tempo para fazer as duas coisas. Não podia ser bem medíocre e tive de fazer uma opção.

VB- O senhor teve uma longa carreira de historiador e de educador, mas também houve uma passagem pelo rádio não é?

CT- Meu grande orgulho é o rádio, porque eu acho que fazer a educação pelo rádio é a grande saída, é a grande solução. Não creio que o ideal seja deixar o sujeito sentado durante 40 minutos ouvindo o outro falar. No rádio você aprende, sentado, deitado, dormindo, montado...

VB - Como foi essa passagem?

CT- Primeiro colaborei com as emissoras, sobretudo na Rádio Cultura. Colaborei também com a fundação do Irdeb (Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia), onde eu fazia alguns programas radiofônicos e onde fiz grandes amigos como o radialista Perfilino Neto. No rádio, você também fica amigo de quem você nunca viu. Depois, começaram as interferências políticas. – Tem que entrevistar não sei quem (sic), tem que dar uma colher de chá para o secretário não sei das quantas. Aí, eu peguei minhas coisas e disse: boa viagem.

VB- Nesse período que o senhor passou pelas salas de aula e pelo rádio, muitas coisas mudaram em Salvador, o que se destaca nessas mudanças?

CT- Tudo. Mas não foi para melhor e nem para o pior. O Pelourinho hoje é Pelô. Antes era Maciel de Baixo, Maciel de cima... Pelô agora é tudo aquilo ali. Onde estou aqui sentado conversando com você (Pituba) era uma fazenda cheia de bois. A cidade só ia até o fim de linha de Amaralina, o resto eram as fazendas de ‘seo’ Juventino (Silva),de Manuel Dias da Silva. Essa parte de cá, incluindo Brotas era toda rural. A (Avenida) Suburbana, o Lobato, São Thomé de Paripe, Escada, eram todos bairros residenciais. Para você ter uma idéia, aos meus oito anos de idade, meu pai alugou um saveiro para veranearmos em Itapuã. Na época esse era o único acesso àquela parte da cidade.


Meu grande orgulho é o rádio, porque eu acho que fazer a educação pelo rádio é a grande saída, é a grande solução. Não creio que o ideal seja deixar o sujeito sentado durante 40 minutos ouvindo o outro falar.


VB- Nessa época, o saveiro uma importante função econômica não é?

CT- Sim, aquela rampa do Mercado (Modelo) era o ponto de concentração de saveiros de todo o Recôncavo. Jaguaripe, Nazaré, Cachoeira, São Félix, Ilha de Maré... A Baía de Todos-os-Santos era colorida de tantas velas de saveiros.

VB – Voltando a Itapuã, podemos dizer que Dorival Caymmi imortalizou o bairro?

CT- Ele que colocou Itapuã na ordem do dia. Ele morou na Rua do Bângala e foi quem cantou Itapuã e a colocou para todos saberem de sua existência. Ele é o grande publicitário da importância urbana de Itapuã.

VB – Algumas pessoas dizem que as canções dele ajudaram a construir uma imagem de que o baiano é preguiçoso...

CT – Não concordo. Desde quando o baiano é preguiçoso? Qual a diferença ente ser baiano, paraense ou gaúcho?

VB- Mas Jorge Amado construiu vários personagens. Eles têm a cara da Bahia?

CT- Eu tenho uma tese que não é muito de acordo com o que se pensa. Eu acho que Jorge Amado é tão romancista como sociólogo. Os livros dele são pesquisas em torno de ações, atitudes e modos de ser da vida baiana. Capitães da Areia é uma realidade do menino abandonado na beira do cais. É uma obra de ficção, mas com personagens reais. É preciso trabalhar Jorge (Amado), sob o ponto de vista sociológico e não só sob o ponto de vista literário.

VB- Ainda hoje, a Bahia ainda desperta muito encanto no imaginário das pessoas de outros lugares do Brasil e do mundo, por que isso ocorre?

CT- As pessoas acreditavam e ainda acreditam que a Bahia se conservou. Apesar de todas as invasões do progresso, e isso tem que acontecer, permaneceu um sentimento de baianidade. Um carioca, um gaúcho, um catarinense, um paulista, eles todos se parecem entre si, mas um baiano se faz diferente e isso não mudou.

Desde quando o baiano é preguiçoso? Qual a diferença ente ser baiano, paraense ou gaúcho?

VB- E por que isso não mudou?

CT- Graças a Deus, graças a Deus.

VB- E a música baiana mudou?

CT- Você tem Assis Valente, José de Barros, Caymmi e grandes nomes que se projetaram. Os de fora, como Ary Barroso, usaram a Bahia como tema de seu trabalho. A música baiana, com toda influência africana e o samba-de-roda permaneceu a mesma. Hoje falam em Axé Music. Axé Music não é coisa nenhuma. Desculpa os que acham o contrário, mas Axé é uma palavra sagrada, mítica, da religião nagô, que passou a ser banalizada como um gênero de música que nada mais é do que um batuque africano.

VB- A Bahia importou muitos aspectos culturais da África e se tornou um lugar de identidade única. Como isso ocorreu?

CT- Salvador foi o maior receptor da cultura africana no mundo. Eles (os escravos) não vieram só para puxar enxada. Eles trouxeram consigo, a linguagem, o jeito de ser... Vou te perguntar uma coisa: nunca lhe rezaram não? A herança dos orixás se fundiram ainda com a religiosidade do pré-descobrimento. Hoje, o catolicismo também convive harmoniosamente com as religiões de matriz africana.

VB – Então, podemos dizer que a Bahia tem vários lugares dentro dela...

CT- Sim. Se você vai a Barra, do (Rio) São Francisco, você não está na Bahia, você está em Barra. Se você vai ao Sul, no limite com o Espirito Santo, você está em outra Bahia. Essa Bahia afro, vatapá, caruru e orixá é a Bahia da cidade de Salvador e arredores.

VB- Por que isso ocorre?

CT- Quando ocorreu a abolição, o açúcar estava em declínio. Os proprietário de escravo não tinha condições de mantê-los comendo e dormindo e isso foi redesenhando a geografia do estado. O Pelourinho, por exemplo, era uma localidade nobre e começou a receber os descendentes de escravos do Recôncavo. Isso foi mudando o perfil socioeconômico da cidade. Os grã finos, por exemplo, saíram do Centro Histórico e foram morar na Barra, na Graça... A mesma coisa aconteceu na Pituba, que era uma localidade rural. Assim, surgiram as periferias, pois os mais pobres tiveram de se deslocar. A periferia de Salvador de hoje vai ser um reduto de arranha-céus no futuro. Quando eu vim morar na Pituba, isso aqui era um areal e só havia um ônibus no início. Para comprar pão era uma dificuldade.

VB - Por que não há essa projeção para o Centro Antigo da cidade?

CT – Lá pela metade do século XX, deixaram o Pelourinho se transformar em zona de prostíbulos, de malandragem. Depois, tentaram colocar aquela região exclusivamente como zona turística, sem nenhuma habitação. Esse foi um grande equívoco. Vendiam o Pelourinho como mercadoria e isso é não é auto-sustentável. Ninguém vai a um bairro só para ver casinhas coloridas. Outra coisa que é errada misturar o Pelourinho com escravo. Eu lhe dou um doce se você me der um registro de um escravo apanhando lá. Eles apanharam nas fazendas de engenho, mas nunca na via pública.

Vendiam o Pelourinho como mercadoria e isso é não é auto-sustentável. Ninguém vai a um bairro só para ver casinhas coloridas.